Início Economia Inteligência emocional das lideranças é fulcral para gerir a pressão, defende especialista

Inteligência emocional das lideranças é fulcral para gerir a pressão, defende especialista

Mais do que a pressão no contexto profissional, o problema reside na sua gestão. O argumento é de Maria Jesuz Álava Reyes, que irá ser uma das oradoras no MBA “Gestão da felicidade e do capital emocional nas organizações”, organizado pela Coimbra Business School.

A especialista em psicologia organizacional esteve em Coimbra, na última quinta-feira, para participar na conferência “Trabalhar sem sofrer”, onde falou sobre a importância da inteligência emocional das lideranças. Em entrevista ao Jornal Económico, Maria Jesuz Álava Reyes explicou que a pressão em contexto profissional pode resultar não apenas das chefias diretas, como da competição num mercado laboral onde a escassez do trabalho é um fator presente.

“Ambos os fatores contribuem para a pressão identificada pelos funcionários, embora seja importante notar que o problema nem sempre é a pressão, mas sim a sua gestão”, refere. “Em qualquer organização moderna vão existir sempre picos de trabalho que resultam num aumento de pressão. O problema é quando certas atitudes tóxicas dos líderes ou do próprio funcionário transformam essa pressão numa experiência tóxica a nível psicológico”.

“Há líderes que são capazes de controlar a pressão, mitigando os seus efeitos negativos nas equipas que lideram e inspirando-as a obter o melhor de si mesmos. Os colaboradores enfrentam esses períodos de maneira construtiva, com uma atitude mais próxima do desafio do que da ameaça”, acrescenta. Salienta, no entanto, que o estilo de liderança como as estratégias de confronto são treináveis.

A especialista identifica duas grandes causas na origem do burnout: a exposição a tarefas excessivas ou desadequadas, por longos períodos de tempo, e as políticas das organizações, principalmente quando são entendidas como injustas pelos colaboradores.

“Para combater esses estados, é importante intervir a nível pessoal, fornecendo aos colaboradores recursos eficazes para lidar com situações de stress, bem como a nível organizacional, treinando líderes empresariais a estilos mais construtivos e reestruturando as políticas e os processos da organização que geram a percepção de injustiça”, defende.

Apesar de considerar que a conciliação entre a vida pessoal e profissional em algumas posições e setores ser uma questão pendente, existe uma crescente sensibilidade pelo meio empresarial da importância desta questão.

“Começam a medir rigorosamente o impacto real do desequilíbrio entre os dois contextos, e aplicam medidas como o horário flexível ou o teletrabalho parcial”, explica.

Gerir a felicidade para aumentar a produtividade

Maria Jesuz Álava Reyes considera que a experiência de emoções positivas no trabalho influencia a produtividade de formas diferentes.

“Primeiro, através da saúde, as pessoas mais felizes têm melhores níveis de saúde geral, o que reduz o absentismo. Em segundo lugar, a felicidade no trabalho gera processamento de informações mais eficaz e criativo, levando a que os problemas sejam resolvidos da melhor maneira, mais rápida e com soluções mais inovadoras”, sublinha.

Acrescenta ainda que a felicidade diretamente relacionada com o nível de envolvimento dos colaboradores com as organizações em que trabalham.

“Esse fator é crucial, sabemos de pesquisas recentes que empresas com funcionários mais comprometidos têm melhores resultados em um grande número de indicadores-chave de negócios”, defende.

A especialista em psicologia organizacional antecipou ainda que as competências dos líderes dos futuros devem centrar-se em torno de duas áreas principais: apoio e inspiração.

“Os colaboradores devem sentir que são tratados como indivíduos e não apenas como peças de um equipamento produtivo. A empatia, comunicação, capacidade de ouvir e entender a experiência dos colaboradores é fundamental”, realçou. “Por outro lado, os líderes do futuro trabalharão com pessoas e equipas cada vez mais bem treinadas, mais versáteis e com maiores necessidades de autonomia. A única maneira de gerenciar esse cenário é através da inspiração”.

“Devem ser capazes de transmitir a visão da organização, alinhando-a com o talento de cada funcionário e utilizar efetivamente o reconhecimento e uma atitude de serviço, entendo que sua função é muito importante e que o seu talento vai-se refletir em resultados”, concluiu.