Capitólio. Empresas dos EUA começam a virar as costas a Trump

Não são apenas as tecnológicas a endurecer o seu posicionamento para com o presidente cessante. As grandes empresas dos Estados Unidos estão a mudar de tom, após o ataque de quarta-feira à sede do Congresso norte-americano.

Capitólio. Empresas dos EUA começam a virar as costas a Trump

As empresas norte-americanas parecem estar a virar as costas, de forma definitiva, a Donald Trump, depois do ataque ao Capitólio, na passada quarta-feira, que o presidente cessante instigou através de um discurso na mesma manhã, conforme escreve esta segunda-feira a CNN Business.

As primeiras grandes multinacionais a tomar uma atitude foram as tecnológicas, depois de vários anos de muitas cautelas na forma de moderar discurso de ódio e desinformação. O Twitter e, depois, o Facebook baniram Trump das suas redes.

Outro sinal foi o que aconteceu à rede social Parler, que se assumiu como uma plataforma para “liberdade de discurso”, uma alternativa às redes sociais convencionais. A popularidade do sistema Parler aumentou nos últimos dias, tornando-se na primeira aplicação gratuita da App Store (da empresa Apple) mais requisitada, após a decisão do Twitter de suprimir de forma permanente a conta do presidente dos Estados Unidos.

Primeiro, a Apple e a Google removeram a app das suas lojas virtuais, justificando que a plataforma não escrutinava de forma satisfatória as publicações dos seus utilizadores, permitindo a incitação à violência. Depois, no sábado à noite, a Amazon avisou a Parler que iria removê-la dos seus servidores por violações consecutivas das regras de utilização da multinacional. A rede social encontra-se fechada desde as 7h59 de hoje, depois da Amazon a ter bloqueado, tendo ficado sem servidor.

A plataforma de processamento de pagamentos Stripe deixou de processar os pagamentos para o site de campanha de Trump e a organização que reúne os jogadores profissionais de golfe dos Estados Unidos (PGA Tour) cancelou os planos para fazer o campeonato de 2022 nos campos de golfe do republicano.

Aquilo que até aqui eram apenas divergências de opinião, uma vez por outra (dado que beneficiaram dos cortes de impostos de 2017 e das políticas de desregulação), tornou-se agora num posicionamento mais claro, com as empresas a calcular os riscos e benefícios de associarem a Donald Trump.

“Depois dos eventos inconcebíveis e trágicos que testemunhámos, não podia ser mais claro que é tempo do país e dos legisladores se unirem em torno do presidente-eleito Biden e da vice-presidente-eleita Harris”, indicou em comunicado a Business Roundtable, um grupo dos maiores empresários dos EUA, que é liderado pelo CEO da Walmart, Doug McMillon.

Até líderes empresariais que antes apoiavam Trump estão agora a voltar atrás, como o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, um dos apoiantes mais ferozes do republicano. Num comunicado emitido na semana passada, após o ataque à sede de Congresso, Schwarzman descreveu o incidente como “chocante”, acrescentando que “o resultado desta eleição é muito claro e deve ocorrer uma transição pacífica de poder”.

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FONTENoticias ao minuto
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