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Cerca de 500 trabalhadores da Groundforce exigem solução ao Governo

Cerca de 500 trabalhadores da Groundforce manifestam-se hoje em frente à residência oficial do primeiro-ministro para pedir ao Governo que não deixe a empresa cair e que se encontre uma solução para os 2.400 trabalhadores que não recebem desde fevereiro.

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“Não deixem cair a Groundforce” é uma das palavras de ordem que os trabalhadores têm usado esta manhã, nesta que é uma das várias manifestações que os trabalhadores têm levado a cabo nos últimos dias.

O protesto acontece dias depois de ter sido conhecido que as negociações entre o acionista maioritário da empresa de ‘handling’ (assistência nos aeroportos), a Pasogal, e a TAP, para um adiantamento de dinheiro que serviria para pagar os salários em atraso e para um empréstimo de 30 milhões de euros, falharam, uma vez que as ações de Alfredo Casimiro já estão penhoradas e não podem ser dadas como garantia.

Ainda não se sabe qual será o futuro da empresa, mas os trabalhadores temem que seja pedida a insolvência.

“Casimiro, ladrão! Groundforce sem um tostão”, gritam também os cerca de 500 trabalhadores.

O dono da Pasogal, Alfredo Casimiro, que detém 50,1% da Groundforce, foi alvo de várias críticas durante a manifestação, chegando os manifestantes a gritar “gatuno” quando viram a passar na rua uma carrinha do grupo Urbanos, do qual Casimiro é fundador e presidente.

“Um verdadeiro traidor, é aquilo que nós sentimos, uma valente facada nas costas, andou a brincar connosco uma semana, literalmente a brincar connosco, a fazer de nós peões, numas negociações fantasma que não existiram e, sinceramente, acho de muito mau gosto, numa época de pandemia em que as pessoas já de si estão em situações tão difíceis, haver alguém que tenha o desplante e a ousadia de brincar com 2.400 trabalhadores”, disse aos jornalistas Luísa Borba, da Comissão de Trabalhadores (CT) da Groundforce.

A trabalhadora da Groundforce considerou que “não faz sentido” deixarem cair uma empresa viável e que representa 28 companhias aéreas, que dela vão precisar quando forem levantadas as restrições de viagens, devido à pandemia.

“Se for essa a solução [a nacionalização] venha, se for a privatização, venha, nós queremos qualquer coisa, a única coisa que nós não queremos é a insolvência”, afirmou.

Durante o protesto, elementos da CT foram recebidos por assessores do gabinete do primeiro-ministro, António Costa, que, segundo a estrutura, se mostraram solidários com as suas preocupações, mas não apresentaram qualquer solução.

“A empresa é viável, não tinha dificuldades até à pandemia, bem pelo contrário, foi geradora de lucro. […] Não merece ser desprotegida e desacompanhada por parte do único acionista que nos parece credível, tem capacidade política e tem capacidade financeira para nos ajudar, o Estado, ou a TAP via Estado”, disse aos jornalistas Erasmo Vasconcelos, um dos membros da CT recebido na residência oficial do primeiro-ministro.

Os trabalhadores da Groundforce têm denunciado a situação grave que têm vivido, sem receber salários desde fevereiro, mas dizem estar unidos para ultrapassar as dificuldades.

“Os trabalhadores têm-se juntado para que, entre todos, consigamos ajudar os casos mais graves e tem sido muito bom esta união dos trabalhadores. Estamos todos sem salário e a lutar pelos postos de trabalho”, apontou João Alves, trabalhador da empresa de ‘handling’.

Segundo João Alves, há um “sentimento de revolta” entre os trabalhadores da empresa, que se sentem enganados pelo acionista da Pasogal.

“Até o próprio Governo foi enganado, é inexplicável aquilo que aconteceu, é de uma irresponsabilidade enorme”, acrescentou.

Numa reunião com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, na segunda-feira, a CT e os sindicatos que representam os trabalhadores da Groundforce ficaram a saber que as ações da Pasogal já estão penhoradas, não podendo ser dadas como garantia para receber um adiantamento da TAP de cerca de dois milhões de euros, para pagar os salários aos 2.400 trabalhadores, nem para um empréstimo bancário com aval do Estado de 30 milhões de euros, para fazer face às necessidades de tesouraria a curto e médio prazo.

Esta informação foi dada por Alfredo Casimiro, dono da Pasogal, ao fim de vários dias de negociações com o Ministério das Infraestruturas, em que concordou ceder as ações como garantia para viabilizar a empresa.

Os órgãos representativos dos trabalhadores ficaram também a saber na reunião que o Governo “não descarta medidas para salvar a continuidade da empresa, mas também não descarta a insolvência” e que, sem a garantia da entrega das ações, não poderá haver injeção de capital.